Dédalo no céu
Pedro Gonzaga
para Cláudio Moreno
Imensidão amarga de Dédalo,
esquecido a voar
no céu vedado aos homens
insciente de que ao inventar a fuga
inventava também a queda,
vejo teus olhos cravado num mar
eternamente silencioso
ouço tua obliterada lamúria
por este pedaço
de carne tua
para sempre perdido,
que se deixou encantar
por teu gênio,
como fizera o tiranete
de Minos.
Se para toda pena há prescrição,
por que seguem abertas
tuas asas de cera incorruptíveis?
Em que pensarás, Dédalo,
enquanto se expande sem limites
tua prisão perpétua?
Como é possível conceber labirintos
e evasões
neste universo feito
meramente
de ar, vapor e vento?
[publicado em http://pedrogonzaga.wordpress.com/]